VOLIÇÃO - 24/05/2020 - 02h28
VOLIÇÃO - 24/05/2020 - 02h28
Hoje saí de casa como se... como se a vida pela primeira vez estivesse fazendo sentido. Talvez seja uma daquelas reflexões clichês que temos nos momentos mais comuns. Sim, comuns. Aqueles momentos em que descobrimos o "algo novo", como quando refletimos sobre a luz de dentro da geladeira ou, quem sabe, sobre quantas pessoas estão fazendo determinada coisa em todo o mundo. E exatamente como um destes clichês à moda da vida, tive um dos piores que existe: o luto.
A verdade é que podemos ver o luto de várias maneiras -- Obviamente... Vi como pode ser reconfortante, como quando nos atentamos ao céu e começamos a imaginar que aquela amada pessoa está nos vendo chorar por ela enquanto pensa "não chore! Eu estou num lugar melhor! Não iria querer vê-lo chorar!". Talvez não seja assim; não seja simplesmente divino.
Também vi como pode ser apenas uma falta de se ser. Como quando olhamos para uma foto e vemos que aquela pessoa amada está apenas naquele papel. Que as cores daquele momento... momento... foram capturadas e isso não traz nada além de... artificial. Não sei como funciona uma câmera ainda, então não me pergunte. Talvez não seja só isso; não seja algo somente artificial.
Por fim, após inúmeras análises sobre este momento clichê de nossas vidas, pude ver que o nada e o tudo importam. Pois, se você leu até aqui e acha que descobri uma resposta surpreendentemente filosófica para a morte, você está quadradamente enganado. Não há resposta e é idiotice pensar que existe. Talvez a vida seja mediocremente e abençoadamente a vida; a morte, tal qual a sua oposta, também. Opostos existem e precisam existir a partir do momento em que algo é criado. Há um contraponto em tudo.
Hoje perdi uma lente dos meus óculos e só fui me dar conta depois de várias horas, quando procurei por uma sandália debaixo da cama e encontrei a bendita lente.
Neste exato momento estou ouvindo uma música em inglês que tem uma melodia muito harmoniosa (não no momento em que você está lendo, mas sim no momento em que estou escrevendo). Gosto de músicas em inglês, pois não entendo-as e posso pensar o que quiser delas; você também? isso é um clichê?
Escrever é um clichê... Viver, pensar e morrer, também.
23/05/2020 - Meu querido primo faleceu num acidente de moto. Estou triste e impaciente com o tempo.
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