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VOLIÇÃO - 24/05/2020 - 02h28

VOLIÇÃO - 24/05/2020 - 02h28       Hoje saí de casa como se... como se a vida pela primeira vez estivesse fazendo sentido. Talvez seja uma daquelas reflexões clichês que temos nos momentos mais comuns. Sim, comuns. Aqueles momentos em que descobrimos o "algo novo", como quando refletimos sobre a luz de dentro da geladeira ou, quem sabe, sobre quantas pessoas estão fazendo determinada coisa em todo o mundo. E exatamente como um destes clichês à moda da vida, tive um dos piores que existe: o luto.        A verdade é que podemos ver o luto de várias maneiras -- Obviamente... Vi como pode ser reconfortante, como quando nos atentamos ao céu e começamos a imaginar que aquela amada pessoa está nos vendo chorar por ela enquanto pensa "não chore! Eu estou num lugar melhor! Não iria querer vê-lo chorar!". Talvez não seja assim; não seja simplesmente divino.         Também vi como pode ser apenas uma falta de se ser. Como quand...

MINICONTO - O Inacabado Projeto de Jacy

MINICONTO - O Inacabado Projeto de Jacy    Não se precisava ler o jornal, pois todos já sabiam do ocorrido de tão corrido que foi o boato. Nada aquietava os olhares agudos que a vizinhança lançava, ora com sua piedade, como se de alto escalão ocupassem o céu, ora com suas verdades, como se espalhassem novamente as mentiras de Jesus Cristo.    De verdade era a dúvida de Jacy. Não conseguia acalentar seus desejos, já não tinha perturbações com a morte da sua infância. Seu corpo obedecia às regras da vontade, mesmo que fétidas. Aliás, a podridão das suas volições era o que movia seu prazer, o que deixava suas coxas úmidas, suas canelas bambas e seus pés se contorcendo. À medida em que a sua incerteza aumentava, seus dedos estalavam mais, e suas canelas ficavam mais fracas, e suas coxas mais embebidas.    Tornou-se mulher por arbitrariedade. Decidiu no uni-duni-tê, porque não tinha tempo pra mais indecisão... Ela precisava amar. Se armou de todas as ...